Confesso: Eu me senti obsoleta
Há alguns dias, pela primeira vez em anos de carreira, me senti irrelevante.
Como estrategista de conteúdo, vi as IAs evoluírem de “curiosidade tecnológica” para “máquinas de escrever” em meses. Vi textos serem gerados em segundos. E a pergunta que martelou minha cabeça foi: “O que sobra para mim?”
Se a IA escreve o post, faz a legenda e sugere o título, o que eu estou fazendo aqui?
Passei alguns dias nesse limbo até entender uma coisa fundamental: a IA é um espelho retrovisor. Ela olha para tudo o que já foi dito na internet e faz uma média. Ela é o triunfo do senso comum.
A estratégia, por outro lado, é um olhar para a frente.
A IA não sabe o que é o “frio na barriga” de um cliente antes de lançar um produto. Ela não entende o subtexto de uma conversa de café que muda todo o rumo de um trabalho. Ela não tem intuição, não tem ética e, acima de tudo, não tem compromisso com resultado.
Eu entendi que meu trabalho não é “escrever textos”. Meu trabalho é:
- Decidir o que não dizer (a IA diz tudo).
- Encontrar o ângulo desconfortável que gera reflexão (a IA quer ser segura).
- Conectar o caos da realidade com a precisão da marca.
Sim, eu senti medo de ser trocada por um algoritmo. Mas esse mesmo medo me lembrou que conteúdo estratégico sem alma é apenas ruído digital. E, de ruído, o mundo já está cheio.
Eu não sou uma fábrica de palavras. Meu trabalho é ser o filtro da relevância. E isso nenhuma linha de código consegue simular.