A equação mais difícil (de todas)

Alguns países europeus estão retomando suas atividades normais, depois de alguns meses de quarentena por causa de pandemia de Covid-19. É o caso da Alemanha, da França, da Itália e Portugal, apenas para citar alguns deles. A China saiu na frente de todos e já voltou – ou teria voltado – à normalidade há mais tempo.

Entretanto, o temor do que as autoridades estão chamando de 2ª onda da pandemia existe, é totalmente real. Alguns países estão vendo voltar os casos de coronavírus, por isso tomam todos os cuidados na volta às atividades. Portugal, por exemplo, retomou as aulas ontem, mas com inúmeras medidas de proteção.

Hoje, 21 de maio, o mundo soma quase 5 milhões de casos da doença, com mais de 328 mil mortes. Os Estados Unidos têm a triste liderança no número de casos (mais de 1,5 milhão) e de mortes (93 mil).

O Brasil, infelizmente, nesta mesma data, ocupa a 3ª posição entre os países com maior número de casos – são mais de 293 mil – e quase 19 mil mortes. E vai piorar, segundo as autoridades de saúde, que acreditam que, esta semana, marca o pico da doença.

Verdade? Mentira? Não sei dizer. Mas, na minha avaliação, o Brasil sofre de algo igualmente ruim e que um veículo de comunicação chamou de ‘pandemia política’. O problema aqui é que ninguém se entende.

O presidente Jair Bolsonaro minimiza, desde o início, a pandemia, a doença, os doentes, os mortos. Digam o que quiserem. Em momento algum, ele teve outra atitude que não a do enfrentamento (no mau sentido, é claro). Desafia as autoridades de saúde, participando de aglomerações. Ou seja, faz tudo errado. E, para ajudar, está metido até o pescoço em confusões políticas, cujos ‘ruídos’ só prejudicam. Isso para não dizer nada das demissões no ministério.

Em São Paulo, todo mundo está batendo cabeça. O prefeito inventa rodízio, suspende rodízio, faz barreira, desfaz barreiras. O governador define isolamento social, que boa parte da população não cumpre. Uma hora fala de lockdown, em outra de relaxamento da quarentena.

Com isso, quem sofre é a população, que enterra seus mortos, fica internada em hospitais e UTIs no limite da capacidade e também faz fila na porta de banco para conseguir receber o auxílio emergencial, que, ‘inadvertidamente’, chegou a ser pago a presidiários. Como assim???????????

Pois é! O que parece, diante de tudo isso, dessa situação em que ninguém se entende, é que estão todos esquecendo a equação mais difícil de todas, talvez. Como conciliar saúde e vida com a economia? O presidente da República quer o fim da quarentena a todo custo. Alguns governadores implantaram medidas de isolamento social mais severas e outros, o lockdown.

Sim, é difícil saber o que fazer numa hora dessas em que o distanciamento social é condição sine qua non para evitar o aumento da doença no Estado – o que tem o maior número de casos e de mortes – e, ao mesmo tempo, fazer a economia andar para evitarmos uma nova e horrenda pandemia – a da fome.

O que falta, na minha opinião, é compreensão, entendimento, busca conjunta de soluções. Porque até agora, o que se vê são ataques entre governadores, de governadores ao presidente e vice-versa. Como se isso fosse resolver a situação. Não vai.

Nesta hora em que muita, mas muita gente mesmo se volta para a solidariedade, para ajudar quem precisa, é incrível que as autoridades continuem agindo de forma mesquinha, do tipo “quem manda sou eu”.

Precisamos de um líder – que não é nenhum dos que estão por aí hoje – que aja com serenidade, competência, ética, solidariedade, que pense verdadeiramente nas pessoas em todos os sentidos, não apenas na saúde. Mas, em como elas vão encontrar ou manter seus empregos, como vão conseguir comprar comida e pagar suas contas hoje, amanhã e depois.

A equação é difícil, talvez a mais difícil de todas. Mas, é preciso deixar o ego de lado e unir esforços pelo bem de todos. Parar de fazer politicagem, de querer aparecer para ser lembrado (positivamente) nas próximas eleições.

Falta um líder, tanto quanto faltam todas as inúmeras e boas qualidade e características que fazem um líder. Se tudo isso não pode ser encontrado em uma única pessoa, que tal todos se unirem verdadeiramente, colocando seu melhor em prol das pessoas, da sua cidade, do seu Estado e do Brasil? Pode ser que, de vários, surjam as qualidades de um líder. Mas, aí todos precisam se ouvir e se respeitar. Será?